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Encarte & Oferta

Como montar um calendário de ofertas no supermercado sem correr atrás do prejuízo

GMPor Gaal Moura
·17 de agosto de 2026 ·7 min de leitura
Calendário de Ofertas no Supermercado: Como Parar de Improvisar e Vender com Estratégia

Você lembra quando o gerente do açougue entrou na sala na quarta à tarde e perguntou: vai ter oferta de carne no fim de semana ou não? E você ainda não sabia.

Esse ciclo de improviso custa caro. Custa margem quando a oferta sai errada. Custa tempo quando o fornecedor não tem o produto que você prometeu no encarte. E custa frequência quando o cliente compra hoje na promoção e some por três semanas.

O calendário de ofertas não é planilha de controle. É uma decisão estratégica sobre quem você quer trazer de volta, quando, com o quê, e com que margem.

Por que o improviso virou padrão e por que ele custa caro

A maioria dos supermercados entra na semana sem saber o que vai oferecer no fim de semana. A decisão depende do desconto que o fornecedor ofereceu, do que sobrou no estoque ou do que o concorrente anunciou na quinta.

Esse modelo garante duas coisas: encarte sem foco e margem espremida.

Quando a oferta nasce do desconto do fornecedor e não do comportamento da sua base, você atrai o cliente errado. Aquele que vem só quando tem promoção, enche o carrinho com o produto em oferta e vai embora sem nenhum item de margem.

Você pagou para trazer quem não vai voltar.

Planejamento com antecedência de pelo menos 30 dias muda esse jogo. Você negocia melhor com o fornecedor porque tem volume garantido. Você escolhe o produto certo porque sabe o que sua base compra com frequência. E você decide a profundidade do desconto com base em quanto precisa de margem para o mês.

Os blocos de um calendário real de ofertas

Um bom calendário não é uma lista de promoções. É uma arquitetura de momentos.

Bloco 1: Datas fixas do varejo. Dia das Mães, Dia dos Pais, Natal, Páscoa, Dia do Cliente (15 de setembro), Copa, volta às aulas. Essas datas precisam estar no calendário com 60 dias de antecedência, no mínimo. Briefing criativo pronto, produto negociado, verba reservada.

Bloco 2: Datas da sua praça. Aniversário da cidade, festas regionais, datas religiosas que movimentam a loja. Cada praça tem o próprio ritmo. Mapear isso é vantagem que o atacarejo não tem.

Bloco 3: Momentos de reativação. Quem não comprou há 30, 45 ou 60 dias. Esses momentos precisam de oferta especial. Não genérica: personalizada pelo histórico de compra. Quem sempre levou frango não precisa de desconto em massa. Quem compra hortifruti duas vezes por semana precisa de um motivo para não ir no concorrente essa semana.

Bloco 4: Semanas de margem. Nem toda semana é de desconto. O calendário precisa prever semanas de recomposição onde a oferta é menor, mas o foco está em produtos de maior valor agregado. Isso protege a margem mensal.

Como o dado do clube guia a pauta de ofertas

Sem dado, calendário vira chute organizado.

O clube de vantagens é a principal fonte de inteligência para montar a pauta de ofertas. Ele revela quais produtos sua base compra com mais frequência e, portanto, têm potencial de oferta de alto impacto sem precisar de desconto absurdo.

Revela também quais clientes compraram apenas uma vez e nunca voltaram, e o que eles compraram. Isso permite criar uma oferta de reativação no produto que já gerou vínculo.

Mostra quais dias da semana seu cliente habitual prefere comprar. Isso define quando lançar a comunicação, não quando você tem tempo.

E aponta quais setores da loja têm o menor índice de compra entre os clientes frequentes, indicando onde um empurrão de oferta pode criar novo hábito de consumo.

Sem o dado do clube de vantagens, você monta o calendário no escuro. Com ele, você monta com intenção cirúrgsica.

Erros mais comuns no calendário de ofertas

Confundir encarte com estratégia. O encarte é o veículo. A estratégia é a decisão de quem precisa comprar o quê essa semana para o faturamento fechar.

Tratar todos os clientes igual. Mandar a mesma oferta para quem compra toda semana e para quem sumiu há 40 dias é desperdício de verba e de atenção.

Não medir resultado por oferta. Se você não sabe quantos clientes novos a promoção de frango da semana passada trouxe, e se eles voltaram, você está repetindo coisas que podem não funcionar.

Planejar só os produtos, não o canal. Uma oferta precisa de distribuição. WhatsApp para quem está na base. Google para quem ainda não te conhece. Encarte físico para quem está dentro da loja. Cada canal tem o próprio timing e o próprio público.

Deixar a data chegar e decidir em cima da hora. Dia dos Pais passou. Em breve vem o Dia do Cliente, em 15 de setembro. Se você ainda não tem a pauta fechada, já está atrasado.

O que fazer amanhã cedo

Abra uma planilha simples. Coloque os próximos 60 dias na primeira coluna. Marque as datas fixas do varejo. Marque os picos de movimento histórico da sua loja.

Agora olhe para o relatório do clube: quais produtos seus clientes mais frequentes compram e quando. Isso vira a coluna "produto âncora" de cada semana.

Defina a margem mínima aceitável para cada oferta antes de negociar com o fornecedor. Não chegue à negociação sem esse número.

Agende a reunião de briefing criativo para 30 dias antes de cada data grande. O encarte não pode nascer na semana do evento.

E entenda que calendário de oferta não é tarefa de marketing. É decisão de gestão, com dado real, executada por quem conhece sua base de clientes.

A Coffart opera exatamente isso: planejamento de oferta baseado no comportamento real da sua base, integrado ao CoffChat para disparos segmentados no momento certo. Não é manual de como fazer. É a gente fazendo com o dado da sua loja.

Se quiser saber como isso funciona na prática, fala com a gente.

GM
Gaal Moura

Gaal Moura é especialista em marketing para supermercados e fundadora da Coffart, agência focada em crescimento para o varejo alimentar.

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Perguntas frequentes

FAQ

Com quantos dias de antecedência devo planejar as ofertas do supermercado?
O ideal é ter pelo menos 30 dias de antecedência para ofertas regulares e 60 dias para datas sazonais grandes, como Natal, Páscoa e Dia das Mães. Esse prazo permite negociar melhor com fornecedores e preparar a comunicação com qualidade.
Como saber quais produtos colocar em oferta sem espremer a margem?
O dado do clube de vantagens mostra quais produtos sua base compra com mais frequência e regularidade. Produtos com alta frequência de compra toleram desconto menor porque o volume compensa. Já produtos que você quer introduzir na cesta do cliente podem receber desconto de entrada, desde que calculado com margem mínima definida antes da negociação.
Vale usar o WhatsApp para divulgar as ofertas do calendário?
Sim, mas com segmentação. O WhatsApp funciona quando a oferta é relevante para quem recebe. Disparar a mesma promoção para toda a base gera descadastro e queima a lista. A lógica certa é usar o histórico de compra do clube para definir quem recebe qual oferta e quando.
Como incluir clientes inativos no calendário de ofertas?
Clientes que não compram há 30 a 60 dias precisam de um gatilho diferente dos clientes ativos. Crie uma 'faixa de reativação' no calendário, com oferta no produto que essa pessoa comprou antes e comunicação direta via WhatsApp. O dado do clube identifica esse grupo automaticamente.
O Dia do Cliente (15 de setembro) vale a pena para supermercado?
Vale, especialmente para ações de reativação e para reforçar o clube de fidelidade. É uma data com potencial de trazer de volta quem sumiu e de aumentar o cadastro de CPF entre quem já frequenta a loja mas ainda não está na base. O planejamento precisa começar agora, em agosto, para chegar bem na data.