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Gestão & Margem

O setor bateu R$ 1,14 trilhão. A sua loja cresceu junto?

GMPor Gaal Moura
·1 de julho de 2026 ·4 min de leitura

Dono de supermercado em sua loja

Você provavelmente não acordou hoje pensando no PIB do país. Mas um número saído do Ranking ABRAS 2026 merece dois minutos de atenção: o varejo alimentar brasileiro faturou R$ 1,145 trilhão em 2025 — o equivalente a 9% de tudo que o Brasil produziu no ano.

São quase 440 mil lojas, 30 milhões de clientes entrando todo dia, 9 milhões de empregos. O setor não parou. Cresceu.

Mas tem uma pergunta que esse dado não responde: a sua loja cresceu junto?

Porque o número grande esconde o que acontece no detalhe. E o detalhe é onde você mora.

O setor cresce — mas o crescimento não é distribuído

Quando a ABRAS diz que o varejo alimentar faturou R$ 1,14 trilhão, ela está olhando para o setor inteiro — Carrefour (R$ 123 bilhões), Assaí (R$ 84 bilhões), Grupo Mateus (R$ 43 bilhões) e mais 37 gigantes no ranking.

O supermercado independente de bairro, com 1 a 5 lojas, não aparece nesse ranking. Mas ele sente o reflexo disso na praça todo dia.

O atacarejo cresce. A conveniência cresce. O e-commerce alimentar cresce. O consumidor tem mais opções do que nunca — e menos paciência para loja que não entrega o que ele precisa.

Crescer junto com o setor exige uma coisa que os grandes já fazem há anos e o supermercado independente ainda trata como opcional: conhecer quem é o seu cliente.

O que os grandes fazem que você ainda não faz

Carrefour, Assaí e Grupo Mateus não chegaram ao topo só porque têm mais dinheiro. Eles têm processos que a maioria dos independentes ainda não tem:

1. Sabem quem comprou o quê, quando e com que frequência. Não é achismo. É dado. Clube de vantagens, CPF no caixa, CRM — tudo isso existe para uma coisa: saber quem é o cliente e o que ele precisa antes que ele precise pedir.

2. Falam com o cliente certo na hora certa. Quando o Carrefour dispara uma oferta de carne, ele dispara para quem compra carne toda semana — não para todo mundo. Isso não é magia, é segmentação. E você pode fazer a mesma coisa na sua escala.

3. Medem resultado de cada ação. Promoção que não tem número não tem futuro. O supermercadista que não sabe se o encarte trouxe movimento ou só queimou margem está operando no escuro.

Nenhuma dessas coisas exige o tamanho do Carrefour. Exige processo.

O que o supermercado independente tem que o gigante não tem

Aqui está a virada que poucos enxergam: você tem algo que o Assaí nunca vai ter.

Você conhece a sua praça de verdade.

Sabe o nome dos clientes que aparecem toda semana. Sabe que sexta-feira o açougue lota. Sabe que no começo do mês o movimento dobra e no meio cai. Sabe que tem família que compra as crianças toda semana e outra que some quando o boleto apertar.

Esse conhecimento vale muito — mas só se ele sair da sua cabeça e virar processo.

Cliente que você conhece de vista mas não tem o CPF registrado é um estranho para o seu sistema. Você não sabe quando ele sumiu. Não sabe o que ele comprou. Não consegue mandar uma mensagem quando tem oferta do que ele gosta.

O maior erro do supermercado independente não é falta de promoção. É falta de identificação.

Três coisas para fazer antes de agosto

Se o setor cresceu R$ 1,14 trilhão e sua loja não cresceu junto, o problema raramente é preço. Costuma ser processo. Aqui está por onde começar:

1. Capturar CPF em todo caixa, sem exceção. Não precisa de clube elaborado agora. Precisa de CPF. Esse é o primeiro passo para sair do escuro. Treine a equipe, crie um ritual simples, monitore a taxa de identificação toda semana.

2. Saber quantos clientes você perdeu nos últimos 60 dias. Cliente que comprava e parou é o dado mais importante que você tem — e provavelmente você não monitora. Com CPF registrado e uma ferramenta simples de CRM, isso vira rotina.

3. Parar de disparar promoção para todo mundo. Disparo no escuro queima verba e treina o cliente a só comprar quando tem desconto. Segmentar por comportamento de compra — mesmo que de forma simples — já muda o resultado.

Se quiser entender como estruturar isso na sua operação, o CoffChat existe exatamente para isso: comunicação com o cliente certo, na hora certa, sem complicação.

O erro que vai custar caro nos próximos dois anos

O setor vai continuar crescendo. As grandes redes vão continuar investindo em tecnologia, dados e relacionamento com cliente.

O supermercadista que ficar esperando a praça melhorar para investir em processo vai acordar em dois anos com uma fatia menor de um bolo maior.

Não é pessimismo. É o padrão que o Ranking ABRAS mostra todo ano: os que estruturaram cresceram. Os que não estruturaram perderam posição — mesmo num setor que fatura trilhão.

O que você vai fazer com esse dado depende de você. Mas o dado está na mesa.

GM
Gaal Moura

Fundadora e estrategista da Coffart — marketing para supermercados.

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Perguntas frequentes

FAQ

O que é o Ranking ABRAS 2026?
É o principal levantamento anual do varejo alimentar brasileiro, elaborado pela Associação Brasileira de Supermercados em parceria com a NielsenIQ. A edição 2026 revelou que o setor faturou R$ 1,145 trilhão em 2025, com 439.728 lojas ativas no Brasil.
Como o supermercado independente pode crescer num setor dominado pelos grandes?
Pela proximidade com a praça e pelo conhecimento do cliente — mas isso precisa virar processo. Capturar CPF, monitorar frequência e comunicar de forma segmentada são os três primeiros passos práticos.
Por que identificar o cliente pelo CPF faz diferença?
Porque cliente sem CPF registrado é invisível para a sua operação. Você não sabe quando ele voltou, quando sumiu ou o que ele compra. Com identificação, é possível recuperar quem parou de aparecer e comunicar oferta relevante para quem vai comprar.
O que é CRM para supermercado?
É um sistema que registra o comportamento de compra do cliente — o que comprou, quando, com que frequência — e permite agir com base nisso. Não precisa ser complexo: começa com CPF no caixa e uma ferramenta que mostre quem está sumindo.
Clube de fidelidade vale a pena para supermercado pequeno?
Sim, mas o erro mais comum é criar desconto antes de criar processo. O clube funciona quando você sabe quem é o seu cliente e consegue se comunicar com ele de forma relevante. Sem identificação e sem segmentação, vira só mais custo.